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Células sanguíneas e glóbulos vermelhos em fundo abstrato

Leucócitos altos na gravidez: o que é, causas e quando se preocupar

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Durante a gestação, é natural acompanhar de perto cada exame — e, junto com eles, surgem dúvidas que nem sempre são simples de responder. Uma delas é quando o resultado aponta leucócitos altos. A primeira reação costuma ser preocupação: “isso é normal?”, “tem algo errado comigo ou com o bebê?”.

Se você passou por isso, respira fundo. Na maioria dos casos, o aumento dos leucócitos na gravidez faz parte das mudanças do próprio corpo. Neste guia, você vai entender o que são os leucócitos, por que eles aumentam na gestação, quais são os valores de referência, quando é sinal de alerta e como cuidar da sua saúde nesse período. Vamos juntas?

O que são leucócitos e qual a função no organismo?

Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, são células fundamentais do sistema imunológico. Eles atuam como uma verdadeira linha de defesa do organismo, identificando e combatendo agentes invasores, como bactérias, vírus e outros micro-organismos que podem causar doenças na gravidez. Sempre que o corpo detecta uma ameaça, essas células entram em ação para proteger a saúde.

Além disso, os leucócitos também participam de processos inflamatórios e ajudam na recuperação de tecidos. Ou seja, não estão ligados apenas a infecções, mas a qualquer situação em que o organismo precise se defender ou se adaptar. Por isso, alterações na quantidade dessas células podem acontecer em diferentes contextos — e nem sempre indicam algo preocupante.

É normal leucócitos altos na gravidez?

Sim, na maioria das vezes, é completamente normal. Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por uma série de adaptações — e o sistema imunológico é uma delas. O aumento dos leucócitos na gestação acontece como uma resposta natural do organismo para proteger tanto a mãe quanto o bebê.

Esse aumento é mais comum a partir do segundo trimestre e pode se intensificar no final da gestação e até no momento do parto. Ou seja: nem sempre leucócitos altos na gravidez significam problemas. Muitas vezes, é apenas o seu corpo fazendo exatamente o que precisa fazer — e esse resultado é avaliado de forma mais completa durante as consultas de pré-natal, levando em conta o seu histórico, sintomas e outros exames.

Quais são os valores de referência na gestação?

Quando você pega o resultado do exame, é natural tentar entender os números ali na hora — mas, na gravidez, esses valores funcionam um pouco diferente. Isso porque o corpo está passando por adaptações importantes, e isso inclui mudanças na contagem dos leucócitos. Para te ajudar a visualizar melhor, olha só como esses valores costumam variar:

  • Mulheres não grávidas: entre 4.000 e 11.000 leucócitos por mm³ de sangue;
  • Durante a gestação: valores podem chegar até cerca de 15.000 leucócitos/mm³ sem indicar problema;
  • Final da gravidez e parto: os níveis podem aumentar ainda mais, como parte da preparação do corpo.

Principais causas de leucócitos altos na gravidez

Quando os leucócitos aparecem elevados no exame, é natural querer entender o motivo. A boa notícia é que, na gestação, esse aumento muitas vezes está ligado a processos normais do próprio corpo. Ainda assim, existem diferentes causas possíveis — e conhecer cada uma delas ajuda a trazer mais clareza (e menos ansiedade) nesse momento.

A seguir, você confere as principais razões para esse aumento durante a gravidez:

1. Mudanças naturais do corpo

Durante a gestação, o organismo entra em um verdadeiro modo de adaptação para proteger o bebê e sustentar o desenvolvimento da gravidez. Isso inclui alterações significativas no sistema imunológico, que passa a atuar de forma mais intensa para garantir a segurança de ambos.

Como consequência dessa resposta fisiológica, é comum encontrar leucócitos altos na gestação nos exames de rotina, o que geralmente reflete apenas o corpo se ajustando ao novo estado, sem que isso represente necessariamente um problema de saúde.

2. Infecções

As infecções estão entre as causas mais comuns de células de defesa elevadas, inclusive durante o período gestacional. As infecções urinárias, por exemplo, são bastante frequentes nessa fase, já que o corpo passa por mudanças que facilitam a proliferação de bactérias. Quando isso ocorre, é comum a detecção de leucócitos na urina durante a gravidez, indicando que o organismo está respondendo ao agente infeccioso.

Essa presença de glóbulos brancos no trato urinário serve como um sinal de alerta importante para que o tratamento seja iniciado rapidamente, garantindo a saúde da mãe e do bebê. Além disso, outras infecções, como viroses e doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue na gravidez, também podem influenciar os níveis de leucócitos, reforçando a importância de investigação quando há suspeita clínica.

3. Processos inflamatórios

Nem sempre o aumento dos leucócitos na gestação está ligado a uma infecção ativa. Em alguns casos, ele pode ser resultado de processos inflamatórios no organismo. Essas inflamações podem ser leves, silenciosas e até passageiras, mas já são suficientes para estimular a produção de células de defesa.

4. Estresse físico e emocional

O estresse também pode influenciar diretamente a quantidade de leucócitos no sangue. Isso porque situações de tensão — sejam físicas ou emocionais — estimulam a liberação de hormônios que afetam o sistema imunológico. E, durante a gestação, é completamente compreensível que esse fator esteja presente no dia a dia.

5. Uso de medicamentos

Alguns medicamentos podem interferir diretamente nos resultados dos exames de sangue, incluindo a contagem de glóbulos brancos. Durante a gestação, o uso de suplementos, vitaminas ou corticoides específicos — sempre sob orientação médica — pode levar a um quadro de leucocitose em gestante.

O que causa pequenas alterações laboratoriais que nem sempre indicam uma infecção. Por isso, é fundamental que o obstetra analise o hemograma, considerando todo o histórico de medicações utilizadas pela paciente.

Leucócitos altos podem prejudicar o bebê?

Na maior parte dos casos,não há qualquer risco para o bebê quando os leucócitos estão elevados. Quando esse aumento ocorre por causa das mudanças naturais da gestação, ele é apenas um reflexo da adaptação do corpo da mãe e não interfere no desenvolvimento fetal. Ou seja, não é algo que, por si só, cause preocupação.

No entanto, quando o aumento está associado a infecções ou inflamações não tratadas, pode haver impacto indireto. Algumas infecções, por exemplo, podem evoluir se não forem acompanhadas, o que reforça a importância do pré-natal. Por isso, mais do que o valor isolado, o que realmente importa é entender o que está por trás dessa alteração.

Quais são os sinais de alerta?

Mesmo sendo uma alteração comum na gravidez, alguns sinais do corpo podem indicar que o aumento dos leucócitos merece uma investigação mais cuidadosa. Esses sintomas geralmente aparecem quando há alguma infecção ou inflamação associada, e por isso é importante observá-los com atenção no dia a dia. Fique atenta a sinais como:

  • Febre persistente;
  • Dor ou ardência ao urinar;
  • Corrimento na gravidez com odor forte ou diferente do habitual;
  • Dor abdominal ou pélvica;
  • Sensação de mal-estar ou cansaço excessivo;
  • Alterações importantes nos exames, com leucócitos muito acima do esperado.

Dá para prevenir alterações nos leucócitos?

Nem sempre é possível evitar o aumento dos leucócitos, já que ele pode ser uma resposta natural do organismo à gestação. No entanto, alguns cuidados ajudam a manter o corpo equilibrado e reduzem o risco de infecções, que são uma das principais causas de alterações nos exames.

Manter uma boa hidratação, ter uma alimentação equilibrada, cuidar da higiene íntima e não adiar idas ao banheiro são hábitos simples que fazem diferença no dia a dia.

Cuidar da sua saúde durante a gestação é acompanhar de perto cada sinal do corpo e entender que nem toda alteração indica um problema — muitas fazem parte do próprio processo da gravidez. Se quiser continuar se informando, veja também nosso conteúdo sobre pressão baixa na gravidez e entenda quando ela é normal e como lidar no dia a dia.

Referências

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